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Enquadramento geológico

O arquipélago da Madeira é constituído pelas ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas (Deserta Grande, Ilhéu Chão e Bugio) e Selvagens (Selvagem Grande e Selvagem Pequena). Destas, apenas a Madeira e o Porto Santo são habitadas, sendo que a Selvagem Grande e a Deserta Grande, ambas integradas em reservas naturais, têm em permanência Vigilantes da Natureza.

Enquadramento geológico

Do ponto de vista geodinâmico, o arquipélago da Madeira situa-se no setor noroeste da placa Africana (Núbia), cerca de 500 km a S da zona de falha Açores-Gibraltar, 1600 km a E da Crista Média Atlântica e 640 km a W da Margem Continental Africana.

A ilha da Madeira corresponde à parte emersa de um grande edifício vulcânico de tipo escudo, de idade miocénica a holocénica (7 Ma), construído sobre crosta oceânica de idade cretácica, na Placa Africana (Núbia). A sua edificação ocorreu, por atividade vulcânica submarina e, posteriormente, por empilhamento de erupções subaéreas geradas maioritariamente por atividade vulcânica fissural, ao longo de um eixo principal de direção aproximada E-W.

As suas lavas são alcalinas, predominando os litótipos de carácter pouco diferenciado como basanitos e basaltos alcalinos, estando as rochas intermédias como mugearitos e traquitos representadas em raros afloramentos.

Na ilha da Madeira foram identificados três complexos vulcânicos compostos por um total de sete unidades ou formações estratigráficas principais, limitadas por superfícies de inconformidade expressas à escala regional da ilha.

O Complexo Vulcânico Inferior (CVI) (Miocénico > 7 Ma) representa o final da fase submarina do vulcão escudo e subdivide-se em:

  • Formação de Porto da Cruz (CVI1) - constituída por rochas muito alteradas de origem hidromagmática (hialoclastitos, brechas hialoclastíticas e derrames lávicos submarinos), cortadas por uma rede densa de filões;

  • Formação dos Lameiros (CVI2) - constituída por uma sequência fossilífera de sedimentos carbonatados marinhos de baixa profundidade. Encontra-se exposta a 400 m de altitude na região dos Lameiros, sugerindo importante levantamento da ilha.

O Complexo Vulcânico Intermédio (CVM) (Plio-Plistocénico ~ 5,57 – 1,8 Ma) corresponde à principal fase de construção subaérea do vulcão escudo, subdividindo-se em:

  • Formação da Encumeada (CVM1) - caracterizada por erupções de estilo estromboliano e vulcaniano em cones ou sistemas fissurais situados ao longo de uma zona de rift de direcção E-W, abrangendo os atuais setores central e oriental da ilha;
  • Formação da Penha de Águia (CVM2) - caraterizada por numerosas erupções (de estilo estromboliano e havaiano) que emitiram derrames lávicos volumosos a partir de centros eruptivos localizados no Maciço Montanhoso Central, aumentando significativamente o volume insular imerso;

  • Formação do Curral das Freiras (CVM3) - caracterizada por vulcanismo de estilo essencialmente havaiano (ou estromboliano) em bocas fissurais situadas provavelmente na região do Paul da Serra, correspondendo à fase de crescimento da ilha no sector oeste.

O Complexo Vulcânico Superior (CVS) (Plisto-Holocénico ~ 1,8 – 0,007 Ma) corresponde à fase de revestimento vulcânico da ilha e vulcanismo pós-erosivo, em centros eruptivos ou sistemas fissurais situados ao longo de zonas de rift vulcânico de direção NW-SE a WNW-ESE, sendo formado por:

  • Formação dos Lombos (CVS1) - etapa de revestimento vulcânico insular em posição morfológica culminante e, nalguns casos, preenchendo vales relacionados com a morfologia atual;

  • Formação do Funchal (CVS2) - etapa de vulcanismo pós-erosão, isto é, contemporâneo da morfologia atual.

Depósitos sedimentares epiclásticos de brechas e conglomerados estão presentes nas várias unidades estratigráficas e testemunham, entre outros, importantes movimentos de massa (enxurradas, deslizamentos, etc.) relacionados com o forte relevo da ilha.

Para além das formações mencionadas, destacam-se ainda rochas granulares que ocorrem no Complexo Vulcânico Inferior – Unidade do Porto da Cruz (CVI1); filões e massa filonianas de que são exemplos o Maciço Montanhoso Central e a Ponta de São Lourenço; areias de praia; depósitos eólicos; depósitos glaciares e periglaciares.

A última erupção data de há cerca de 6850 anos, sendo que atualmente ainda ocorrem manifestações de vulcanismo secundário, tais como libertação de gases (CO2) e águas termais.

A ilha do Porto Santo apresenta-se como uma estrutura complexa, resultado das fases de construção submarina, de transição e subaérea. Desenvolveu-se como vulcão-escudo submarino durante o Miocénico Inferior, há cerca de 18 Ma.

A partir dos 14,5 Ma, a ilha foi emergindo com manifestações vulcânicas tanto de natureza submarina como subaérea, com domínio da atividade subárea por volta dos 13,5 Ma. As últimas erupções desta fase ocorreram há 10,2 Ma, com a formação da chaminé do Pico de Juliana. A atividade eruptiva continuou com episódios vulcânicos, representados por intrusões filonianas, e ter-se-á extinguido há 8 Ma.

As rochas magmáticas são moderadamente alcalinas, tendo os processos de diferenciação magmática gerado litótipos sobre-saturados como traquitos e riólitos.

Ocorrem, ainda, afloramentos de rochas sedimentares, sob a forma de duas unidades principais. A primeira, do Miocénico Médio, é contemporânea da atividade vulcânica que ocorreu durante a fase de transição de vulcanismo submarino para subaéreo, representada por calcários ou biocalcarenitos fossilíferos, como as estruturas recifais do Ilhéu da Cal.

Um outro conjunto sedimentar, originado no Plistocénico em ambiente subaéreo, está representado por arenitos carbonatados, biogénicos, acumulados e consolidados em calcarenitos eólicos de que são exemplos os depósitos do Calhau da Serra de Fora e da Fonte da Areia.

 

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